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Os riscos ocultos da saúde bucal em esportes de endurance

A prática de esportes de endurance, como ciclismo e maratonas, pode trazer desafios inesperados para a saúde bucal. Um estudo recente destaca que atletas frequentemente ignoram os cuidados dentários em meio à intensa rotina de treinos e competições, o que pode resultar em problemas sérios.

Os desafios da saúde bucal em atletas de endurance

O dentista Ben Atkins, de Manchester, participou da Rat Race Iceland Coast to Coast, onde percorreu cerca de 110 km diários em um desafio que envolveu trekking, mountain bike e caiaque. Apesar de sua experiência na área de odontologia, ele se deu conta de que a saúde bucal passou despercebida em sua preparação. “Eu subestimei esse risco, e isso é preocupante, pois eu sou da área,” comentou.

Durante sua jornada, que incluiu paisagens vulcânicas e longos períodos sem contato com outras pessoas, Ben se deparou com dados alarmantes sobre a saúde bucal de atletas. Um estudo revelou que 49,1% dos atletas profissionais apresentavam cáries não tratadas e 77% relatavam sangramento gengival ou cálculo dental. Além disso, 32% afirmaram que problemas bucais impactaram seu desempenho esportivo.

A alimentação e seus efeitos na saúde bucal

Atletas de endurance podem consumir até 90 gramas de carboidratos por hora, o que, somado à desidratação, reduz a produção de saliva e aumenta o risco de cáries. Durante sua travessia na Islândia, Ben teve que ingerir grandes quantidades de alimentos energéticos, o que incluía bolos e bebidas isotônicas, repletas de açúcar. “Era necessário, mas a frequência de exposição ao açúcar me preocupou,” explicou.

Ele também enfrentou o desafio da boca seca, que o pegou de surpresa. “A desidratação foi um fator que eu não considerei, e isso me deixou em uma situação de alto risco,” afirmou. Mesmo após retornar para casa, sua saúde bucal ainda apresentava desconfortos.

Prevenção é a chave

Experiências como a de Ben ressaltam a importância de um cuidado odontológico adequado antes de competições. Ele destacou que um atleta do grupo precisou de tratamento de canal apenas dois dias antes do evento. “Um dentista deve realizar uma avaliação completa antes de um desafio, especialmente se o atleta planeja se expor a riscos,” alertou.

Ben acredita que a prevenção deve ser adaptada à realidade dos atletas, sugerindo que se verifique a saúde bucal bem antes das competições e que se discuta a ingestão de carboidratos durante os treinos. “Prevenir não é apenas agir quando há sangramento; é preparar sua boca para um desafio intenso,” enfatizou.

Manutenção da saúde bucal durante a competição

Durante a expedição, Ben continuou a usar sua escova de dentes elétrica, mantendo uma rotina de higiene bucal que incluía escovação três vezes ao dia. Ele encontrou na escovação um momento de descontração e autocuidado, essencial para manter a sanidade em meio ao estresse da competição.

Por fim, ele ressalta a necessidade de os dentistas conversarem mais com seus pacientes sobre a alimentação durante atividades físicas. “Perguntas simples podem revelar padrões de risco não percebidos,” concluiu.

Ben alerta que, se ele, como dentista, pode esquecer da saúde bucal em um evento tão exigente, muitos atletas podem estar negligenciando esse aspecto vital de seu desempenho.

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