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Estudo revela mudanças no microbioma bucal em pacientes com long COVID

Uma nova pesquisa mostra que pacientes com long COVID apresentam alterações significativas em seu microbioma bucal e das vias aéreas, ligadas à piora da função pulmonar, problemas cognitivos e sintomas gastrointestinais.

Diferenças notáveis entre pacientes com long COVID

Cientistas da Universidade de Dundee analisaram a saliva de 771 indivíduos que haviam sido hospitalizados devido à COVID-19, classificando-os conforme a gravidade dos sintomas persistentes. Aqueles com long COVID extremo exibiram discrepâncias evidentes em seus microbiomas em comparação aos que não apresentavam a condição.

Relação com sintomas sistêmicos

As alterações no microbioma estavam associadas a uma variedade de sintomas, incluindo redução da função pulmonar e problemas neurocognitivos como “brain fog”, além de distúrbios gastrointestinais, como dor, náuseas e perda de apetite.

A importância do microbioma na saúde

A principal autora do estudo, Dra. Daniela Alferes de Lima Headley, destacou que milhões de pessoas ao redor do mundo ainda enfrentam as consequências do long COVID, cuja causa permanece desconhecida. “O microbioma desempenha um papel crucial na manutenção da saúde corporal, tornando-se um forte candidato a contribuir para o long COVID”, afirmou.

Excesso de bactérias e inflamação Entre as mudanças observadas, foi notada uma superabundância de bactérias produtoras de ácido láctico, que também se correlacionaram com sinais de inflamação presentes no sangue dos pacientes.

Questões em aberto sobre a relação entre microbioma e long COVID

Uma questão que o estudo não conseguiu responder é se as alterações no microbioma são resultado da infecção por COVID-19 ou se já existiam antes, o que sugeriria que o microbioma poderia influenciar a probabilidade de desenvolver long COVID. Pesquisas anteriores já indicaram que a infecção por COVID-19 pode reduzir a diversidade do microbioma bucal.

Urgência na pesquisa e desenvolvimento de tratamentos

O Professor James Chalmers, líder de pesquisa respiratória na Universidade de Dundee, enfatizou a necessidade urgente de entender as causas do long COVID, que continua sendo um grande desafio para a saúde pública. “Compreender essas causas pode levar a melhores tratamentos, já que o microbioma pode ser alterado por meio de antibióticos, probióticos ou outras intervenções”, explicou.

A pesquisa faz parte do consórcio PHOSP-COVID, formado por pesquisadores do Reino Unido que buscam entender e melhorar os resultados de saúde a longo prazo para pacientes de COVID-19.

Impacto social do long COVID

A Professora Raquel Duarte, à frente da assembleia de doenças infecciosas da Sociedade Europeia de Respiratório, destacou que milhões de pessoas ainda convivem com as consequências debilitantes do long COVID. Os sintomas persistentes afetam a capacidade de trabalhar, estudar e realizar atividades diárias, impactando não apenas os pacientes, mas também suas famílias e a sociedade como um todo.

Compreender essas complexidades é essencial para o desenvolvimento de intervenções eficazes que possam melhorar a qualidade de vida de milhares de indivíduos afetados.

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