Mudanças na odontologia do NHS no País de Gales geram dificuldades em sistema ainda não testado
Louise Anderson, gerente regional de suporte da Practice Plan, relata sua experiência no apoio a consultórios do País de Gales durante as mudanças no…
Louise Anderson, gerente regional de suporte da Practice Plan, relata sua experiência no apoio a consultórios do País de Gales durante as mudanças no contrato odontológico do NHS introduzidas neste ano. Entre as alterações está a ampliação, de três para seis meses, do prazo de aviso exigido de titulares que pretendem devolver seus contratos. O prazo se aproxima para quem deseja sair ao fim do ano contratual.
As mudanças, implementadas em abril, foram apresentadas como uma oportunidade “única em uma geração” para melhorar o acesso dos pacientes. Anderson, que trabalha diariamente com consultórios, afirma, porém, que a intenção não parece corresponder à realidade. Segundo ela, meses após a introdução do contrato, ainda é questionável se o objetivo será alcançado, diante do aumento das cobranças aos pacientes, da ampliação dos intervalos entre consultas de acompanhamento e da falta de continuidade do atendimento.
De acordo com o texto, um terço da população adulta do País de Gales tem necessidades não atendidas de atendimento odontológico pelo NHS. Além disso, 20% dizem não ter conseguido marcar uma consulta nos dois últimos anos, e outros 13% teriam praticamente desistido de tentar. Anderson afirma que era necessário melhorar o acesso, mas avalia que a implantação acelerada de um sistema não testado, sem orientações adequadas para consultórios ou pacientes, dificilmente seria bem recebida pelos profissionais.
Suporte insuficiente
Os materiais informativos destinados aos pacientes só ficaram disponíveis semanas depois da entrada em vigor das novas cobranças, segundo Anderson. Com isso, os consultórios tiveram de lidar com pacientes insatisfeitos na recepção sem cartazes ou folhetos oficiais. Com mais de 35 anos de experiência na odontologia no País de Gales, ela afirma ter acompanhado várias versões do contrato e considera que esta foi a pior implantação que presenciou.
Além do aumento da carga administrativa, os consultórios enfrentaram sistemas de software que não estavam preparados para as mudanças e dúvidas sobre quais serviços poderiam ser cobrados. Anderson diz que dentistas com quem conversou no início do processo se sentiram desrespeitados: suas preocupações teriam sido ignoradas ou descartadas, e suas opiniões, não ouvidas.
Uma pesquisa inicial de opinião citada no artigo foi realizada pela consultoria odontológica galesa ProPractices, um mês após a introdução do contrato. A empresa consultou entre 15% e 20% dos titulares de contratos sobre a implementação. Todos os participantes classificaram a experiência como “ruim” ou “muito ruim”, e 83% disseram que poderiam reduzir seu compromisso com o NHS caso não recebessem mais apoio.
Anderson afirma que há grande confusão sobre a administração do contrato. Sem orientações oficiais, muitos profissionais usam como principal fonte de informação um grupo de WhatsApp com várias centenas de membros, onde publicam dúvidas na esperança de que alguém já tenha enfrentado o problema e encontrado uma solução.
Execução do contrato
Também há preocupação de que o contrato não possa ser cumprido. Uma enquete informal recente entre integrantes do grupo de WhatsApp indicou que a maioria dos que responderam acreditava ter alcançado, após o terceiro cronograma, entre 25% e 50% do nível de desempenho que esperava atingir. Para Anderson, o resultado não é um bom sinal para o restante do ano contratual. Ela diz ter conversado com vários dentistas que escreveram aos respectivos Conselhos Locais de Saúde para informar que consideram o contrato, em sua forma atual, inviável de executar.
Anderson aponta a estrutura dos pacotes de atendimento como possível fator para o desempenho abaixo do esperado. Com a substituição das UDAs por um sistema baseado em valores monetários, as cobranças feitas aos pacientes estariam dificultando o cumprimento dos contratos. Como exemplo, ela cita um procedimento restaurador simples, cobrado a £37,50, além do custo do exame — £27,21 para a consulta de um paciente novo. Segundo ela, esse valor dificilmente terá impacto significativo nos montantes contratuais, sobretudo porque o pagamento pelo trabalho realizado também tem sido problemático.
Sobrecarga administrativa
A administração do novo contrato tem sido difícil e frustrante para os consultórios, segundo Anderson. Ela afirma conversar diariamente com gerentes de consultórios que dizem dedicar agora 95% do tempo a tratar de solicitações rejeitadas, processar pedidos e consultar o eDEN, ferramenta on-line de dados, e o Compass para entender a situação do contrato. Também precisam calcular diferentes estatísticas e a remuneração dos dentistas associados.
As equipes de recepção devem garantir que o pagamento correto seja cobrado pelo pacote de atendimento correspondente e, ao mesmo tempo, lidar com pacientes insatisfeitos, que agora também precisam arcar com custos laboratoriais. Anderson afirma que o aumento das cobranças e das taxas de laboratório levou pacientes a recusar tratamentos por causa do custo.
Uso do sistema por pacientes já atendidos
Embora as novas regras tenham como objetivo ampliar o acesso, Anderson afirma que pacientes já atendidos estão usando o sistema para tentar conseguir consultas. Novos pacientes devem se cadastrar no DAP (Portal de Acesso Digital) para serem encaminhados ao consultório mais próximo com disponibilidade. Em alguns casos, porém, pacientes que receberam indicação de tratamento e não querem esperar seis semanas para serem atendidos pelo consultório que os recomendou estariam acessando o DAP para tentar conseguir uma consulta antes.
Assim, segundo Anderson, em vez de facilitar o atendimento de novos pacientes, o portal estaria sendo usado para encaminhar novamente pessoas que já fazem parte do sistema.
Escolha dos pacientes
A ampliação dos intervalos entre consultas de acompanhamento tem sido impopular entre pacientes e profissionais, afirma Anderson. Pacientes considerados clinicamente saudáveis não precisam ser chamados antes de 18 meses a dois anos, e o intervalo pode ser maior se o consultório não conseguir atendê-los. Embora a medida esteja alinhada às diretrizes do NICE, órgão britânico de orientação em saúde, dentistas temem que esse prazo deixe pacientes vulneráveis a cáries e problemas periodontais.
Antes da mudança, os pacientes geralmente eram chamados uma vez por ano, e não a cada seis meses, como ocorre em algumas outras partes do Reino Unido. Como alternativa a esperas de até dois anos por um exame de rotina, Anderson diz estar ajudando consultórios a criar planos odontológicos anuais de baixo custo. Os planos dão direito a um exame, uma consulta de higiene, radiografias, atendimentos de emergência e desconto em tratamentos.
Segundo ela, os planos são destinados a pacientes que querem continuar sendo atendidos anualmente pelo próprio dentista, em vez de serem encaminhados a qualquer dentista do NHS no consultório ou, em uma emergência, a qualquer profissional do NHS que trabalhe para o Conselho Local de Saúde. Anderson afirma que os planos são apresentados como uma entre várias opções, em conformidade com os padrões do GDC, o Conselho Geral de Odontologia, e têm sido populares. Um consultório que os adotou registrou 1.100 pacientes em apenas três semanas.
De acordo com Anderson, os planos oferecem mais previsibilidade aos pacientes e uma fonte de receita previsível para consultórios preocupados em não cumprir o contrato ou que consideram deixar o NHS ao fim do ano contratual.
Mais devoluções de contratos?
O Governo do País de Gales informou que cerca de 6% dos contratos odontológicos do NHS no país haviam sido devolvidos até março de 2026. Anderson diz que é difícil estimar quantos pacientes podem ter sido afetados. Como aproximadamente 1,41 milhão de pessoas foram atendidas por dentistas do NHS no País de Gales nos dois anos anteriores, o impacto poderia alcançar cerca de 85 mil pacientes. No entanto, não foi publicada uma estimativa oficial para todo o País de Gales, e o número real pode ser maior ou menor.
Anderson afirma saber que pelo menos alguns contratos foram devolvidos porque seus titulares não queriam trabalhar sob as novas condições. Com a aproximação do prazo de outubro, ela questiona quantos outros consultórios seguirão o mesmo caminho.
A Practice Plan informa que recebe consultórios desde 1995 e os ajuda a desenvolver negócios rentáveis por meio de planos de atendimento com a marca dos próprios consultórios. A empresa diz que sua equipe de campo reúne mais de 300 anos de experiência em odontologia e convida interessados em migrar do NHS para o atendimento privado a entrar em contato pelo telefone 01691 684165 ou pelo site www.practiceplan.co.uk/be-practice-plan/. O artigo é patrocinado pela Practice Plan.
Fonte: dentistry.co.uk



